Conta-se que Goodman ficava tão à vontade quando interpretava o Quinteto para clarineta de Mozart quanto quando tocava "Honeysuckle Rose" de Fatz Waller. Sim, o "Rei do Swing" atuou também em concertos, recitais e gravações de música erudita, seja como solista de grandes orquestras ou em grupos camerísticos.
Aqui nesta seção é possível conhecer, ver e ouvir um pouco do que Benny Goodman fez neste gênero.
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O CONCERTO PARA CLARINETA DE PAUL HINDEMITH
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O compositor alemão Paul Hindemith escreveu seu Concerto para Clarineta em lá e orquestra em 1947. A obra foi dedicada a Benny Goodman e teve sua estréia em 11 de dezembro de 1950 com o clarinetista, o regente Eugene Ormandy e a Philadelphia Orchestra.
O clarinetista David Pino (autor de
The clarinet and clarinet playing) não considera o concerto apenas um dos melhores trabalhos de Hindemith, mas o melhor concerto escrito para o instrumento no século XX.
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A obra divide-se em 4 movimentos: o primeiro é sério, em foma-sonata; um scherzo curto, rápido e brilhante; um lento e, finalmente, um em forma rondó, que mantém uma atmosferra poderosa.
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O TRIO CONTRASTS (1938) DE BÉLA BARTÓK
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Contrasts é um trio para clarineta, violino e piano do compositor húngaro Béla Bartók composto sob encomenda para Benny Goodman e o violinista Joseph Szigeti, compatriota de Bartók.
Inicialmente, a ideia era escrever uma peça curta, de dois movimentos e duração próxima a 6 ou 7 minutos. Esta primeira versão da obra, chamada Rhapsody, teve sua estréia em 9 de janeiro de 1939 no Carnegie Hall, com Szigeti, Goodman e o pianista Endre Petri.
Mais tarde, Bartók adicionou um segundo movimento à obra e trocou o nome para Contrasts. Szigeti, Goodman e o próprio Bartók ao piano estrearam a versão final do trio, também no Carnegie Hall, em 21 de abril de 1940 e gravaram-no pouco depois. A publicação veio em 1942 com dedicatória a Szigeti e Goodman.
O trio baseia-se em melodias de danças húgaras e romenas e possui 3 movimentos. O primeiro começa com pizzicatos no violino, com a clarineta introduzindo o tema prinicipal, que é variado depois. O segundo é mais introspectivo e não possui um tema definido. Para o último movimento, o violinista utiliza um instrumento com as cordas afinadas em sol#, ré, lá e mib (o comum é sol, ré, lá e mi). Esta prática, chamada scordatura, é rara atualmente, mas é comum seu uso na música folclórica para dar ao instrumento uma cor sonora diferente. Tal afinação é apresentada logo no início do movimento e, em seguida, surge o tema principal na clarineta. No meio do movimento, há uma seção lenta contrastante.
Ouça a obra completa (gravação em vídeo de Thea King, Yehudi Menuhin e Jeremy Menuhin) clicando nos links abaixo.
BARTÓK - Contrasts para Clarineta, Violino e Piano
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O EBONY CONCERTO (1945) DE IGOR STRAVINSKY
O "Ebony Concerto" de Igor Stravinsky, para clarineta e orquestra de jazz, foi escrito em 1945 a pedido de Woody Herman. Durante seus movimentos - uma abertura Allegro moderato nervosamente ritmada, um Andante central brumoso, do tipo blues e um final Moderato trepidante - esta peça segue um curso inflexível de ritmos contrastados que se opõem fortemente uns aos outros para dar, no final, quase paradoxalmente, um efeito de pureza clássica de estrutura quase primitiva.
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O CONCERTO PARA CLARINETA (1948) DE AARON COPLAND
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Foi no Rio de Janeiro, em 1947, que o compositor norte-americano começou a trabalhar em seu Concerto para Clarineta, que havia sido encomendado por Benny Goodman.
Diferentemente das obras concertantes e de influência jazzística escritas para clarineta pelos compositores Igor Stravinsky e Leonard Bernstein, que optaram por usar big bands como acompanhamento, o Concerto de Copland possui cordas (violinos, violas, violoncelos e contrabaixos), harpa e piano em sua orquestração.
A forma do Concerto não é usual. Tratam-se de dois movimentos ininterruptos intercalados por uma longa cadenza (passagem virtuosística geralmente executada somente pelo solista). Vale lembrar que nos concertos costumamos encontrar 3 movimentos: rápido, em forma-sonata; lento, em forma binária; e rápido, em forma rondó. Eles geralmente aparecem separadamente e com a cadenza no final do primeiro movimento.
No Concerto de Copland, o primeiro movimento começa e termina com uma valsa lenta que nos remete às Gymnopedies para piano de Erick Satie, mas possui uma seção intermediária mais movida. O segundo movimento, que é antecedido pela cadenza, possui uma sonoridade brasileira que divide espaço com muitas menções ao Jazz.
Em todo o Concerto é possível notar diversas passagens difíceis para o solista, como as notas super-agudas e o glissando final, o que permitiu a Benny Goodman mostrar sua virtuosidade na clarineta.
Não perca exibição da gravação em vídeo deste concerto durante a programação da Semana Benny Goodman!
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PRELUDE, FUGUE AND RIFFS (1949) DE LEONARD BERNSTEIN
"Prelude, Fugue and Riffs" de Leonard Bernstein foi composta em 1949 para Woody Herman. Embora seu estilo tenha como fonte o jazz, em particular o swing, esta composição contém idéias que se assemelham à da improvisação em um quadro de estruturas estritas de forma quase clássica.
Assista a um vídeo desta obra (com Peter Schmidl, Leonard Bernstein e a Wiener Philharmoniker) clicando aqui.
MAIS:
MILLARCH, Aramis: Goodman no clássico com obras de quatro mestres. Artigo publicado pelo caderno Almanaque do jornal Estado do Paraná em 31/05/1987.
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